E sinto um borbulho no peito. Rio. Não estrago e vou, sem olhar para trás. Quem sabe depois eu volto. E então quando já me distancio o suficiente pra que não consiga mais ver ele, olho pra trás.
Não o vejo, como pensei, mas vejo algo que me intriga. Ônibus, muitos ônibus, então entendo que estou em uma rodoviária. Mas pra onde ir? Não posso apenas vagar sem rumo.
-moça - disse a mulher com uma cara mais confusa que minha - você pode me dizer onde eu pego o ônibus pra Mogi da Cruzes?
- É o quarto ônibus da plataforma 2 - respondi sem ao menos pensar.
- obrigada.
O fato de eu saber daquilo só podia significar que eu ainda tinha acesso as minhas memórias, não se eu tentasse lembrar, era como olhar pelo canto do olho pra resposta vir.
Sinto algo vibrando no bolso e descubro um celular quando levo a mão até ele. Vejo na tela JLOP. "Que raios de nome é esse?" é o que não sai da minha cabeça enquanto atendo.
-alô
-já ta na hora de voltar pra casa né? - responde o homem do outro lado da linha.
-e quem é você pra me dizer quando voltar pra casa? - respondi num tom meio rude sem ter intenção.
-ah Linda, já faz já faz 4 meses e 2 dias que você foi embora e tudo que me deixou foi um bilhete escrito "volto 5", mas mao especificou, 5 horas, dias, meses... - mais um esperando uma resposta, quero desligar, pensar um pouco sozinha, mas talvez ele me ajuda.
-e vc vem esperado esse tempo todo Jay?
- Jay? Você não lembra nem meu nome mais, com essa mania de colocar só as iniciais nos contatos.
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